Inovação para quem quer inovar.

August 15th, 2009

Ouvindo o programa Roda & Avisa do @renedepaula com o nada amigavél titulo “quer inovação? inove você também!” não paro de pensar o quanto eu concordo com ele que publica seus pensamentos de onde estiver, no carro indo para a casa ou para o trabalho ou para algum evento, enfim. O mais legal é ouvir as idéias dele, por que sempre tem um tom de reflexão, coisa rara ultimamente por aí. Dessa vez, ele criticava (de maneira injusta em alguns pontos como ele mesmo reconhece) o que estava sendo chamado de inovação, e o mais importante, a forma de como as pessoas envolvidas na area de tecnologia encaram e vivem a inovação.

O que é interessante, por que eu também andava pensando sobre isso ultimamente. O fato de não ter mais internet em casa, me fez ver que não é o fim do mundo ficar sem twitter ou orkut ou facebook e todas as centenas de redes sociais que participo e que tomo conhecimento todo dia.

Há algum tempo atrás fui no Social Media Brasil, o evento que reuniu pessoas de todos os quilates e dos mais variados lugares do país (e até de fora dele) para discutir cases, estratégias e ferramentas, e também, como tirar o melhor proveito delas a favor dos nossos clientes. Conheci muita gente boa lá e assisti palestras de especialistas que, entre outras coisas, mostraram cases de produtos feitos por pessoas com visão e com muito talento.

O que une o podcast que ouvi do @renedepaula ao Social Media Brasil é justamente o que mais me incomodou no final do evento. Foram dois dias inteiros, uma sexta-feira e um sábado, discutindo…. propaganda! Veja bem: Não estou criticando o evento e também não estou falando que cai de para-quedas lá no meio. Estou dizendo que foram mais 660 pessoas girando no mesmo ponto: propanga e mais propaganda, interação da marca do cliente com os meios digitais e por aí vai. Se no passado já existiu a Revolução Industrial hoje existe a Revolução das Marcas. O príncipio é o mesmo: Consumo! A invasão das marcas no nosso cotidiano, produzindo conteúdos que não imaginávamos e produtos que nos atraem tanto pelo design tanto pelas suas funções, as vezes até inusitadas, são encaradas com muita naturalidade por todos nós que trabalhamos com a tecnologia.

Eu não tenho a experiência ou a bagagem que o @renedepaula ou os profissionais do Social Media tem, mas ando muito sufocado por muitas coisas e a maior delas é essa loucura que estamos fazendo, essa nossa “overdose de inovação” coisa que o @radfahrer tão bem explica no blog e nas palestras dele.

O grande Hype na verdade não é mais o twitter, ou o iPhone 3G. O grande Hype do momento, na minha opinião, é a Social Media como um todo. Algumas profissões que surgiram para esse ramo é basicamente ver se aquilo que acontecia na sua rua, das crianças inventando brincadeiras para passar o tempo, das donas de casa conversando com suas faxineiras e com as vizinhas, acontecem também nas ruas de todo o mundo. O comportamento das pessoas no Orkut não é tão diferente assim das coisas que se faziam antes do surgimento dessa plataforma. Até os investimentos feitos e o comércio de hoje construído por agências, produtoras etc são um pedaço pequeno de uma coisa muito maior que parece que esta parada, estagnada num ponto. Como numa caixa mágica, nós saimos da nossa vida “real” e entramos em um mundo onde todos nós queriamos viver. Poucas confusões, nenhuma violência física e tudo ao nosso alcance sem muito esforço. A web inteira é praticamente a nossa zona de conforto.

Inovação é mudar de alguma forma a vida de todo o mundo, é também uma utilidade pública para poucos ou para muitos. Existe movimentos, plataformas e pessoas que fazem esse lado da inovação girar? Claro que sim, mas comparados com a massa de blogueiros que tentam viver apenas replicando informação de grandes portais de notícias daqui ou de fora, ou se comparar com a metamorfose ambulante do Twitter, com seus usuários enxendo a timeline de todo mundo com os mesmos links que os blogueiros ou até mesmo dos própios blogs, correndo para ganhar relevância e assim popularidade e uma chuva de cliques, essas pessoas ainda são minoria.

O que eu vejo é uma série de problemas, sociais inclusive, e que não estão nem perto de serem discutidos por aqueles que vivem em uma reunião eterna, que vivem de e pela web. O @renedepaula comenta no podcast que Bill Gates e Steve Jobs eram jovens quando mudaram o mundo. Jovens da minha idade, eu ainda faço faculdade, mas estou muito longe de ter uma grande idéia que seja relevante DE VERDADE para as pessoas que me seguem, me cercam etc. O que as pessoas que já terminaram a faculdade estão fazendo para mudar alguma coisa? O que o @renedepaula está fazendo para mudar alguma coisa? ou o @radfahrer? ou todos aqueles que estão entrando agora? ou os que trabalham em agências, produtoras, escritórios, o que todos nós estamos fazendo para mudar alguma coisa no mundo? Somos uma parcela bem pequena de todo um globo de trilhões de habitantes e por isso não digo que somos apenas nós que devemos mudar, mas somos os que temos as melhores condições para isso.

E também não digo que a Social Media é a vilã, ou que trabalhar com ela é um erro.Ela é o Hype do momento, está na moda. Graças a ela o famigerado site institucional virou blog, e o blog que era na sua essência um diário virtual acabou virando o Twitter, e ele por sua vez se tornou o novo Orkut aonde é possível encontrar qualquer pessoa que podemos imaginar, com a única diferença que o Orkut antigo, aquele do Google, não é muito acessado la fora. Tudo que gravita em torno dela é apenas para gerar o lucro, para movimentar uma economia e dar empregos a muita gente que sem isso poderia até estar em maus lençois. Ela é propaganda, é interação também, mas qualquer canal poderá e será invadido por uma marca vez ou outra. Os comerciais da Nike, ou o case do Doritos não mudam a forma como eu penso ou como eu vejo o mundo, podem pagar meu salário no começo do mês assim como qualquer indústria faz com seus funcionários, mas não me encorajarão a realizar alguma ação local revertendo uma condição desfavorável para um grupo de pessoas.

Eu vejo a tecnologia como um ramo de atividade, assim como a engenharia ou a medicina, só que bem mais ampla. E entre tantos caminhos que tem para seguir, a web é o mais conhecido e o mais promissor, que está servindo de carro-chefe para propagar todas as informações que vemos por aí, formando novos pensadores e revolucionando toda a cultura mundial. Mas mesmo assim ela é um meio e não um fim. Do mesmo modo que o médico não tira diploma apenas para curar resfriados em um posto de saúde e um engenheiro não desenha uma planta apenas por desenhar, agente não deve sentar na frente de um computador, seja qual for a marca dele, apenas para fazer um “viralzinho” ou um “perfilzinho” ou site qualquer. Devemos sempre alcançar algum objetivo maior com isso, algo que realmente importe e que seja útil para as pessoas, que satisfaça o cliente e o público alvo dele, mas que também seja útil a qualquer um que entrar em contato com o trabalho, como se estivesse passando na frente de um condomínio recém construído ou de um hospital reformado. Não é uma tarefa fácil, eu sei, mas eu não acredito que seja impossível.

quer inovação? inove você também!

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